domingo, 22 de janeiro de 2017

Placebo


Givenchy

O desfile de Outono-Inverno 2017/18 da Givenchy na Semana da Moda Masculina de Paris aconteceu à mesma hora da cerimónia de posse de Donald Trump como presidente dos EUA. E, por mais que um oceano separasse os dois eventos, não havia como ignorar o facto, mesmo porque a inspiração do estilista Riccardo Tisci foi o Oeste americano. Porém, ele decidiu olhá-lo carinhosamente – tipo “estamos aqui para te ajudar”, talvez? – e sem a sombra dark que lhe é tão cara. Os totens da cultura indígena aparecem estilizados e misturados com o vitoriano tipo velho Oeste e as estrelas e as listras da bandeira do país. Bangue-bangue com armas de mentira. O director criativo da Givenchy tem uma ligação forte com o país, já se inspirou nele algumas vezes. Sem se render à tendência do oversize, a sua silhueta segue alongada na parte de cima e justa nas calças.

Dies Van Noten

A colecção de Outono-Inverno 2017/18 da Dries Van Noten, apresentada na Semana de Moda Masculina de Paris, tem um pouco dos uniformes dos skinheads, um pouco dos Beatles nos anos 60 e de David Bowie na época da sua digressão“Serious Moonlight”nos anos 80. Essa mistura traduz-se nos casacos compridos, alguns deles acolchoados e matelassados, malhas de tricô tipo peruanas, couro, tweed e bordado. A paleta de cor reduz-se quase só ao azul marinho e vermelho.

Jihadistas


O Pentágono acredita que Abu Bakr Baghdadi, o chefe do Estado Islâmico, ainda se encontra em Mossul. Têm circulado inúmeras teorias sobre este clérigo radical, que em 2004 esteve durante um tempo numa prisão americana e foi libertado por ser considerado de "baixa perigosidade", mas nenhuma ainda foi confirmada ou apoiada por fortes evidências, pelo menos publicamente. Segundo a Reuters, ele reduziu os seus movimentos, vive num subterrâneo com túneis que se estendem para diferentes áreas e não dorme sem o seu colete de bombista-suicida para no caso de ser capturado se fazer explodir". Mas a inteligência iraquiana não consegue saber onde se encontra exactamente. Muda de posição e de aparência frequentemente.
Os talibãs afegãos aconselham o presidente Donald Trump a reverter as políticas sobre o Afeganistão ou então os Estados Unidos enfrentarão "uma derrota historicamente vergonhosa". Os jihadistas na Deep Web e nos espaços da media social reagiram à inauguração de novo presidente dos Estados Unidos ...As suas previsões é que a "cruzada contra o Islão vai continuar".

Bin Laden

Osama bin Laden expressou preocupação com as tácticas violentas do Estado Islâmico meses antes da sua morte em 2011, de acordo com um novo lote de documentos divulgados ma quinta-feira pelos serviços secretos dos EUA. O ex-líder da Al-Qaeda sugeriu que a impaciência e a violência do grupo impediam os muçulmanos de simpatizar com a sua causa. Os comentários foram alegadamente feitos numa série de cartas enviadas aos membros da sua família e militantes enquanto ele estava escondido no Paquistão. A última versão do acervo dos documentos encontrados quando a Navy Seals invadiu o complexo secreto do chefe da Al-Qaeda e o matou em 2011, mostra que Bin Laden estava tentando manter os seus seguidores no mundo alinhados na sua guerra contra os Estados Unidos."O sangue não deve ser derramado a menos que tenhamos evidências para mostrar que os elementos de sucesso para estabelecer um califado estão disponíveis ou se atingir tais metas é digno de derramar esse sangue", escreveu ele. Resumindo: ISIS era demasiado sanguinário para o gosto do mentor de um atentado que matou milhares de pessoas nas Torres Gémeas.

Lindsay Lohan

A actriz americana Lindsay Lohan manifestou-se contra o regime sírio e o seu aliado russo. Disse que o presidente sírio Bashar al-Assad e o seu homólogo russo Vladimir Putin foram culpados de "crimes de guerra" em Aleppo. Ela twittou na quinta-feira e teve 9 milhões de seguidores. A actriz de 30 anos recentemente assumiu a causa do povo sírio depois de ter visitado os campos de refugiados na Turquia no mês passado. Até pediu ao presidente eleito Donald Trump para ir à Síria e Turquia ver a situação dos milhões de refugiados sírios. O tweet de Lohan provocou um feroz debate on-line com muitos usuários da media social elogiando o "seu movimento corajoso". O mais interessante disto tudo é que Lohan foi vista em Nova Iorque com um Alcorão debaixo do braço. Durante a viagem à Turquia usou um hijab e revelou na TV turca que tinha estudado o Alcorão e andava a pensar converter-se ao Islão. Já não há pachorra para as celebridades de Hollywood. Esta agora teve uma epifania religiosa.

Reunião de Astana

Representantes oficiais iranianos "opõem-se veementemente" aos Estados Unidos se unirem às conversas de paz sírias no Cazaquistão na próxima semana. "Nós somos hostis à sua presença e não os convidámos", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif. Esta posição vai contra a manifestada pela Rússia e a Turquia, os outros dois organizadores da cimeira, que disseram que a nova administração americana de Donald Trump deverá estar representada em Astana na segunda-feira. Estas conversações, que visam reunir representantes do governo sírio e grupos rebeldes, marcam a primeira vez desde o início do conflito em 2011 que os EUA não estão no centro das negociações de paz. (Imagem de Raymond Pettibon)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Camille Paglia



Issey Myake

A colecção de Outono-Inverno 2017/18 do Issey Miyake, apresentada na Semana de Moda Masculina de Paris centra-se em peças com estampas coloridas pintada à mão, casacos, calças e capas de nylon e alguns tipos de pijamas. A paleta de cor, predominantemente azul marinho e cinza, inclui laranja e amarelo.

Campanha Westwood

Pamela Anderson é a estrela da nova campanha de Vivienne Westwood. Já foi fotografada em 2009 e 2010, nas campanhas de Primavera-Verão e Save The Artic, contra a perfuração do Árctico para extracção de petróleo. Agora a actriz americana, que vai fazer 50 anos, aparece novamente ao lado de Vivienne e do marido da estilista, Andreas Kronthaler. A inspiração veio do Mediterrâneo e os cliques, feitos por Juergen Teller, aconteceram na ilha de Hydra, na Grécia.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Jornalismos

A CNN foi criticada por divulgar um relatório que revelou que Obama, segundo o Entitled Disaster, se tornaria membro do Gabinete na Sala Oval se Donald Trump fosse morto durante um ataque na inauguração. O relatório enfatiza que "um presidente da administração anterior" assumirá o poder se houver um ataque devido ao facto de que nenhum dos secretários de gabinete de Trump ainda foram confirmados". Segundo a CNN, o sucessor presidencial designado provavelmente será Tom Shannon, o subsecretário para Assuntos Políticos e um nomeado de Obama. Dado o grande número de ameaças de morte feitas a Trump, incluindo um amigo da família Clinton que foi preso depois de ter ameaçado assassinar Trump na inauguração, a CNN está a ser acusada de jornalismo irresponsável ao chamar a atenção para esta questão e de incitar à violência. Vai ser processada.

Tudo bem...

O multimilionário Warren Buffett, um dos maiores apoiantes e financiadores da campanha de Hillary Clinton, espera agora uma grande prosperidade para os EUA sob a nova presidência. Numa entrevista à CNBC disse que "a América funciona e vai funcionar bem com Donald Trump". A razão para o seu optimismo é que os Estados Unidos têm o "molho secreto". Certamente que haverá "soluços de vez em quando na economia", alertou. Mas nada de grave. Declarou ainda que "esmagadoramente" apoia as escolhas de Donald Trump para os cargos de gabinete, muitos dos quais são ex-banqueiros e seus amigos íntimos. "Eu me sinto assim, não importa quem é presidente", afirmou Buffett ontem em Nova Iorque na estreia de um documentário sobre a sua vida. E concluiu com ironia: "Só espero que os americanos sejam mantidos em segurança durante a próxima administração, em vista de uma possível agressão da Coreia do Norte.

China censura

A China, decidiu evitar o evento da inauguração da nova presidência dos Estados Unidos. De acordo com o Finantial Times, os censores de Pequim ordenaram aos meios de comunicação para silenciarem os discursos da tomada de posse de Trump, limitando-se a utilizar apenas relatos da cerimónia escritos pela imprensa estatual do Partido Comunista. "É vedado aos sites de realizarem streaming ou imagem das reportagens ao vivo da inauguração", disse o FT. Ordens semelhantes são comuns à frente dos grandes eventos de notícias mundiais, mas os analistas afirmaram que neste caso não seria fácil para Pequim lidar com as percepções do público sobre Trump. Enquanto o tom diplomático oficial da China nas últimas semanas tem sido relativamente moderado, antecipando-se à abordagem beligerante de Trump, a media local foi muito menos contida. Os meios de comunicação socialmente controlados muitas vezes retratam Washington como um poder hostil tentando impedir a ascensão da China. "Trump é um tipo muito diferente do presidente Obama. Ele tem uma atitude menos amigável e é imprevisível ", declarou Zhan Jiang, professor de notícias internacionais da Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing.

Protestos

Alguns dos cerca de 500 activistas, vestidos de negro integral e com a cara tapada, foram detidos numa manifestação não autorizada. Denominados "Anti-Captitalist e Anti-Fascist Block" destruiram caixotes do lixo, painéis de notícias, telas das caixas electrónicas, vandalizaram as janelas do Bank of America, do MacDonalds e do Starbucks, símbolos do sistema capitalista americano. A polícia, usando equipamentos anti-motim, usou spray de pimenta e acalmou os manifestantes que gritaram: "Mãos ao ar, não atirem", enquanto um helicóptero pairava em cima. O confronto aconteceu cerca de uma hora antes do juramento de Trump no Capitólio. "Eles estão aqui apenas para criar problemas", disse um professor de 36 anos da escola pública. "Isso incomoda-me um pouco, mas mais uma vez é uma das coisas que eu amo neste país", declarou. Outros manifestantes do grupo de protesto Disrupt J20, vestidos com macacões laranja, numa representação dos prisioneiros de Guantanamo, também compareceram. "Temos muitas pessoas de diversas origens que estão contra o imperialismo dos EUA e achamos que Trump continuará esse legado", disse McCracken. Também os Black Lives Matter e grupos feministas fizeram ouvir as suas vozes. A maioria dos apoiantes de Trump ignorou os manifestantes que estavam junto da Union Station, mas Doug Rahm que é membro dos Bikers For Trump de Filadélfia reagiu. Fora do International Spy Museum, manifestantes com chapéus russos ridicularizaram o elogio de Trump ao presidente Vladimir Putin, marchando com cartazes que diziam Trump Puppet de Putin" e "Funcionário do Kremlin".

Bernie Samders

"Uma das coisas deprimentes que a corrida para a inauguração revelou é que Bernie Sanders está virtualmente sozinho entre os líderes da oposição ao estar disposto a falar sobre política. Os democratas estão tão relutantes em abandonar a sua estratégia fracassada da política de identidade que eles realmente parecem acreditar que a histeria relacionada com a Rússia levará a um impeachment deTrump. As eleições já refutaram a tese de que os republicanos moderados se aliariam com os democratas contra Trump. Os republicanos sabem que um impeachment iria prejudicar o seu partido enormemente e, se Trump queria lutar, ele poderia fazê-lo muito eficazmente através da realização de manifestações nos distritos de turncoats republicano. Trump seria vulnerável se os republicanos tomam grandes perdas nos midterms de 2018. E o público não vai ficar no Trump freakout por mais de dois anos, não importa o quão duro a media continua batendo botões quentes..." (Yves Smith-Naket Capitalism)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Dolly Parton


The Queen

Dolly Parton faz hoje 71 anos. O seu estilo, considerado por alguns o cúmulo do mau gosto, acabou por influenciar alguns designers da moda actual. Roupas adornadas com lantejoulas e strass, tudo com muito brilho. A cabeleira loura numa montagem elaborada de caracóis faz parte da sua imagem de marca. Depois as cirurgias plásticas que ela, com sentido de humor, confirma: "Se vejo flacidez vou ter de concertar o que está mal". Divertida e sem complexos, continua a ser a rapariga do Tennessee que sempre foi. Um coração do country music.

Revistas


Haider Ackermann

Enquanto se prepara para a sua estreia como director criativo na Berluti, o designer Haider Ackermann não deixou de apresentar a sua colecção de Outono-Inverno 2017/18  na Semana de Moda Masculina de Paris. Explora uma espécie de estilo punk chique com outras referências, misturando materiais diferentes veludo, couro negro e lã. Há uma confusão assumida que acaba por transpirar elegância.

As elites de Davos

Um dos melhores resumos do ambiente tenso no encontro de Davos. O New York Times narrou uma conversa durante o jantar na segunda-feira à noite como Ian Goldin, professor de globalização e desenvolvimento da Universidade de Oxford que celebrou a conexão da economia global e os avanços tecnológicos que libertaram os seres humanos da doença, da pobreza e da escravidão do trabalho manual. "Nunca houve um melhor momento para estar vivo e mesmo assim sentimos-nos sombrios e ansiosos. Muitas pessoas sentem que este é um dos momentos mais perigosos". O que motivou a seguinte declaração de Joseph Stiglitz, um crítico da desigualdade económica: "A globalização reduziu o poder de reivindicação dos trabalhadores e as corporações têm aproveitado. A maneira como conseguimos a globalização contribuiu significativamente para a desigualdade...Em resposta à crise económica, os países estão desistindo de protecções sociais e distribuindo cortes salariais". O economista americano afirmou ainda que a globalização e a tecnologia estão a desempenhar um papel no fracasso da zona do euro. Entretanto as elites mundiais em Davos, bem protegidos, repetem as banalidades de base. Com canapés de caviar e champanhe.

ISIS em perda

Com apenas 24 horas para o fim do mandato do presidente Obama, dois bombardeiros B-2 realizaram ataques aéreos em dois campos do ISIS na Líbia durante a noite. Atingiram os jihadistas a 45 quilómetros a sudoeste de Sirte, localizado a meio caminho entre Tripoli e Benghazi. Uma fonte oficial dos Estados Unidos disse à NBC que foram mortos dezenas de lutadores do Estado Islâmico. De acordo com as estimativas do chefe do Comando de África dos EUA, o grupo tinha cerca de 5000 combatentes na área no auge da sua influência, um número que agora diminuiu para 2000. Segundo a Reuters, a maioria dos comandantes do ISIS em Mosul foram mortos em batalhas com as forças do governo iraquiano nos últimos três meses no lado oriental da cidade. A luta para tomar a parte ocidental de Mosul, que permanece sob o controle dos extremistas, não deve ser mais difícil do que a do lado oriental, disse o tenente-general Abdul Ghani al-Assadi. Ontem tropas regulares do exército iraquiano capturaram o hotel Nineveh Oberoy, a chamada "área dos palácios" na margem oriental do Tigre e Tel Kef, uma pequena cidade ao norte, de acordo com declarações militares em Bagdade .

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Prémio Woolmark

O mundo está cheio de jovens talentos procurando entrar na indústria da moda. Uma marca que se dedica a promover activamente talentos é a The Woolmark Company, uma autoridade mundial em lã Merino. Para esse fim, relançou o Prémio Woolmark International em 2012. Fundado em 1953 por iniciativa do Secretariado Internacional da Lã, incluiu concorrentes como Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld na sua juventude. Este ano,  há 12 finalistas de vários cantos do planeta. Alguns especializados em moda masculina e outros em roupas femininas que se reunirão no parisiense Palais de Tokyo em 23 de Janeiro. Os seus trabalhos serão apresentados num painel de respeitados profissionais da indústria. O prémio crucial permitirá que os vencedores sejam abastecidos em algumas das mais importantes boutiques do mundo. O filme é muito interessante. Vejam.

Pyotr Pavlensky


O artista de protesto russo Pyotr Pavlensky pediu asilo político na França. Fugiu de São Petersburgo com a mulher Okasana Chalyguina e os seus filhos, após a abertura de uma investigação criminal contra ele por agressão sexual. Em 16 de Janeiro, disse ao canal de televisão da oposição russa Dojd que tinha sido apresentada uma queixa pela actriz Anastasia Slonina. A directora do teatro experimental, Elena Gremina, afirmou que Pavlensky atacou o namorado da actriz e tentou violá-la, ferindo-a com uma faca. Gremina garante que o incidente "não tem qualquer ligação com a política, nem com a arte, nem com o teatro". Este artista de performance tem estado envolvido numa série de atitudes mediáticas. Cravou o escroto na Praça Vermelha, costurou os lábios, cortou uma parte da orelha e chegou a ser transferido para o Centro Serbsky, o famoso hospital psiquiátrico da época soviética onde internavam os dissidentes políticos com o diagnóstico de loucos.

John Currin

O inclassificável John Currin tem uma exposição na galeria Sadie Coles, em Londres. São cinco novas telas cheias de piadas visuais. Deliciosamente perversas e bem americanas. Um pastiche da história de arte onde circulam muitas histórias. Por mais absurdas e decadentes, as obras deste artista atingem preços absurdos. Dois milhões ou mais de dólares. É um dos pintores mais caros do mundo. Educado em Yale e representado por Larry Gagosian vive num loft do SoHo, em Nova Iorque. Pinta o que o establishment de vanguarda, durante décadas, rotulou de kitsch. Representações coloridas, maneiristas e grotescas de personagens, sobretudo mulheres, burguesas. Seduzem e repelem. Desafiam o gosto. Eu gosto.

Assange USA

A advogada de Julian Assange confirma que ele aceitaria ser extraditado para os Estados Unidos, se Chelsea Manning fosse perdoada. Obama reduziu-lhe a pena, será libertada em Maio. E, portanto, o fundador do  Wikileaks está pronto para se entregar.

Chineses amam Trump


É intrigante para o resto do mundo, mas os chineses americanos que nunca tinham participado em eleições, ficaram entusiasmado com o magnata do imobiliário dos EUA. Nas plataformas dos media sociais chineses, a maioria dos posts eram favoráveis a Trump. Mas o campo pró-democracia na China permaneceu dividido. A maioria dos simpatizantes da ideologia liberal ocidental não gostou do desrespeito de Trump pelas mulheres e minorias, da sua retórica insultante e tácticas de campanha. Outros, que se identificam mais com os conservadores, gostavam do homem forte e directo que acabaria com "correcção política excessiva" e estaria aberto a enfrentar ditadores. O artista dissidente chinês Ai Weiwei disse em Nova Iorque que está confuso com o número impressionante de chineses -tanto na China como aqueles que emigraram para os Estados Unidos - que são fãs de Donald Trump. "Algumas pessoas na China eram defensoras dos direitos humanos, mas aqui falam abertamente sobre o quanto amam Trump. Eu não consigo entender. É verdade que muitos chineses adoram o presidente Vladimir Putin. Apreciam os líderes fortes", afirmou. A Yifang Inflatables, uma fábrica na cidade de Jiaxing, perto de Xangai, começou a vender insufláveis para comemorar o Novo Ano, ​​baseados numa grande escultura, projectada pelo artista Casey Latiolais, cujo site exibe um galo parecido com Donald Trump.

Edward Snowden

As autoridades russas disseram ontem que alargaram a autorização de residência para Snowden, que recebeu asilo na Rússia depois de divulgar informações confidenciais sobre as operações de espionagem dos EUA. Esta autorização é válida até 2020. "Ele tem agora todos os motivos para receber a cidadania no futuro", disse o advogado de Snowden à agência de notícias RIA Novosti. "Isto significa que, se ele decidir solicitar cidadania num futuro próximo, será legalmente possível. Já vive na Rússia há quase quatro anos, não violou nenhuma lei e não há reivindicações legais contra ele", acrescentou Anatoly Kucherena que também expressou a esperança de que a próxima administração dos Estados Unidos, liderada por Donald Trump, vai mudar a atitude de Washington para com o informante. Entretanto o ex-director da CIA Michael Morell sugeriu que Edward Snowden fosse apresentado como o "presente da inauguração perfeita de Putin para Trump". A ministra das Relações Exteriores Maria Zakharova respondeu que a Rússia não trai os seus princípios e não distribui presentes.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Cosa Nostra

Ao longo de duas décadas num jornal siciliano, a fotógrafa Letizia Battaglia captou 600.000 imagens das cenas brutais da máfia italiana. Criou, aquilo que ela qualificou de "arquivo de sangue". Apesar da violência, crueldade e corrupção alguns mafiosos como Al Capone, John Gotti ou Tony Soprano foram romantizados e até mesmo glorificados no cinema americano e nos media. Just for Passion é uma exposição de fotos sobre a Cosa Nostra que está até Abril de 2017 na Fondazione Maxxi, em Roma. Letizia Battaglia, agora com 81 anos viveu com o fotógrafo Franco Zecchin da lendária agência Magnun. Trabalhou no jornal L'Ora numa época em que os clãs Corleone e Stidda se degladiavam. As suas fotos mostram uma sociedade com uma vivência diária onde os assassinados se tornaram banais. Sem limites. Em 1993, a polícia procurou o seu arquivo de imagens e encontrou duas fotos do então primeiro-ministro da Itália, Giulio Andreotti, com o chefe da máfia Nino Salvo. As fotografias, destituídas de glamour, contam a história da infinita complexidade do sistema italiano, aquele em que o crime organizado está profundamente envolvido com a política e a sociedade. Em 1992, fecharam o jornal L`Ora. No mesmo ano, a máfia mata os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellini. A sinistra organização sofreu uma dura repressão do governo, mas não acabou. Já não mata indiscriminadamente. Atingiu uma certa sofisticação e entranhou-se no tecido do establishment. Está na política, nos jornais, na economia e no estado. Mais do que nunca é um "polvo" modernizado.

Narrativa Oscar Wilde

 Oscar Wilde, escritor e filósofo do esteticismo, é o tema central da colecção masculina de Outono-inverno 2017/18 da Alexander McQueen. O pavão, que enfeitava a casa do escritor, é um dos motivos principais, mas ainda se destacam belos casacões e uma alfaiataria impecável. E muito veludo, o tecido preferido do autor de "O Retrato de Dorian Gray".