Ferreira Gullar, um dos poetas mais ilustres do Brasil que fundou em 1959 o movimento Neo-Concretista com
Hélio Oiticica e
Lygia Clark, morreu de pneumonia no Rio de Janeiro. Tinha 86 anos. Escreveu
Poema Sujo em 1976 no exílio, depois de escapar à repressão da ditadura militar. Membro do Partido Comunista Brasileiro, viveu em Moscovo e mais tarde em Lima, Santiago do Chile e Buenos Aires. Regressou ao Brasil em 1977 depois da queda do regime. Desiludido da ideologia comunista declarou numa entrevista que o socialismo tinha fracassado. "Quando o muro de Berlim caiu a minha visão já era bastante crítica. Não tenho dúvida nenhuma que o socialismo acabou. Só alguns malucos acreditam no contrário." Mas continuava a ser um homem de esquerda. Lúcido e contundente. "Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora dá prémio, todo o mundo é. Digo que o socialismo estabeleceu ditaduras, não criou democracias em lugar nenhum e matou gente em quantidade. É difícil para algumas pessoas reconhecer que estavam erradas...Não posso defender Cuba, não dá para defender um regime em que não se pode publicar um livro sem pedir permissão ao governo ou que impede as pessoas de sair." Embora achasse
Dilma uma mulher honesta, não tinha boa impressão de
Lula da Silva. "Punir corruptos que se aproveitaram das suas posições dentro do governo, é uma chama de esperança", sublinhou. Sobre a arte contemporânea afirmou que pode "ser uma transição para uma nova forma de arte em sintonia com este novo mundo. "A arte existe porque a vida não é suficiente".
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