sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Raving Iran

Num país onde 30 estudantes universitários foram recentemente presos e submetidos a 99 chicotadas cada um por "dançarem" e onde seis jovens foram condenados a levar 91 chicotadas pelo crime de um deles cantar no YouTube Happy, a música de Pharrell, imagine-se o que pode acontecer ao duo que organiza festas electrónica no deserto iraniano. É, sem dúvida, um acto corajoso de desafio político. A cineasta alemã Susanne Regina Meures viajou para Teerão e inventou uma série de estratégias furtivas para contar a história da dupla Anoosh e Arash (aka Blade & Beard ) que vive sob constante ameaça de checkpoints, de bufos do partido e até de prisão devido à repressiva polícia da moralidade. Foram convidados para participarem na Zurique Parade Street Festival e admitiram a possibilidade de pedir asilo político. O documentário Raving Iran foi apresentado no Festival de Montreal, no Canadá. É sobre a nova geração de iranianos da classe média, dividida entre o Oriente e o Ocidente, que contornam os censores do governo e os filtros da Internet. Meures incluiu uma legenda no filme onde agradece a todos os estrangeiros que a acolheram nas suas casas, oferecendo-lhe um abrigo seguro e colocando-se até em risco. Depois de dormir duas noites numa igreja protestante de Teerão, pediram-lhe para sair porque havia membros do serviço secreto em frente da porta. A cineasta falou com Anoosh e Arash que não se consideram rebeldes. Têm uma ideia de liberdade e querem viver de acordo com isso. "Quando o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica inspecciona pacotes que enviamos para o estrangeiro, quando estamos continuamente a ser parados pela polícia em postos de controle e quando as lojas não aceitam imprimir folhetos sobre sons electrónicos, a situação torna-se de facto política. A maioria dos homens iranianos que trabalham para o governo usam barba. Se não tiver barba, os empregadores deduzem que somos ocidentalizados e avisam as autoridades", disseram.

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