sexta-feira, 8 de maio de 2020

Sir Richard Branson


É preciso descaramento. O bilionário britânico Richard Branson propôs ao governo hipotecar a sua ilha no Caribe como garantia para um empréstimo público no valor de 500 biliões para resgatar a sua companhia aérea à beira da falência. Fardado de rock star, este capitalista de 69 anos, cavaleiro da rainha em 1999 pelos serviços prestados à economia, amigo de Obama, um dos convidados para kite-surf no iate do fundador da Virgin Group. Agora pediu ajuda ao governo britânico que não parece disposto a fornecer um pacote separado para as companhias aéreas. Segundo o The Guardian, os esforços da Virgin Atlantic para garantir um resgate podem ser prejudicados pelo facto de a companhia aérea americana Delta Air Lines, proprietária de 49% da empresa, não ter injectado mais dinheiro. O investidor americano Warren Buffett confirmou que a sua empresa Berkshire Hathaway vendeu todas as suas acções nas quatro maiores companhias aéreas dos EUA, incluindo na Delta e na American Air Lines. E disse que era errado em investir no sector aéreo. A Berkshire Hathaway anunciou uma perda líquida recorde de de 50 biliões de dólares no primeiro trimestre, informou a agência Reuters.
Quanto ao Sir Richard Bronson, que comparando com Buffet não existe (é um simulacro, citando o filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard que voltei a ler), nem sequer reside no Reino Unido onde não paga impostos há 14 anos. Deslocou a sua empresa para as Ilhas Virgens. Os activistas de esquerda acham que os fundos do governo não devem ser usados para resgatar a Virgin que não é uma empresa ou um empregador modelo. Tem um histórico de lutas violentas com os sindicatos e processou o NHS há vários anos, depois de ter sido negligenciado por um contrato de assistência médica. A reacção actual contra Branson é compreensível. Mas a situação é bastante complicada. Branson sustenta que, sem um empréstimo do governo, a sua companhia aérea falirá, colocando em risco um grande número de empregos. Com um retorno à normalidade económica e social provavelmente distante, aqueles que perderem o emprego provavelmente ficarão desempregados por um longo tempo. Este magnata desagradável merece ser punido, mas os trabalhadores precisam de ser ajudados.

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