terça-feira, 12 de março de 2013

Escolhas

A paisagem humana, que serve de fundo à Moda Lisboa, torna-se cada vez mais grotesca. Falo dos alunos das escolas de moda, na maioria de uma vulgaridade pobremente constrangedora, mas onde se distingue uma fauna mascarada como se perseguisse a extravagância ou a originalidade, um conceito que exige sabedoria e sentido estético na composição do look. Não há ali nenhuma estratégia, nem sinais para serem descodificados, a não ser a pose para um contingente de duvidosos fotógrafos em circulação no recinto. Carecem de glamour. Nem sequer projectam aquela carga de insólito que acaba por contrariar os cânones sociais estabelecidos. Neste contexto visual, olhando à volta, penso na "fuga de cérebros" tão repetida pelos comentadores políticos. Resume-se tudo a uma tontice foleira. No reverso das imagens escolhi o design apelativo da garrafa da cerveja Heineken, a  simplicidade da modelo brasileira Milena, a exótica figura da Rita nascida nos Camarões, a cabeleira da Giza inspirada no  estilo black power da Angela Davies e o seu amigo num smoking negro, o colar punk do cão mais famoso do evento, o estilista Miguel Flor sempre bem vestido, o filho da actriz Sofia Sá da Bandeira que estava ali dignamente a trabalhar na promoção de uma marca de automóveis, o atraente top model Fernando Cabral que fez o roteiro dos desfiles de Nova Iorque, Milão, Paris e Londres.  

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