sábado, 12 de julho de 2014

Arte morta

Já foi. Na sociedade actual qualquer gesto de rebeldia é falso. A cultura popular continua a propôr imagens, canções, atitudes, estilos e figuras que são vendidas como rebeldes ou contestatários do sistema. Mas cada vez mais as supostas rupturas com os valores estéticos, culturais e sociais não passam de uma perfeita fraude. Com a sociedade do espectáculo, a indústria do cool e a ideologia decorativa, o artista deixou de ser marginal até porque foi absorvido e deglutido pelo sistema onde funciona como uma mero ilustrador. Pedem-lhe que incarne o papel de subversivo. A simulação do inconformismo tornou-se a nova norma, uma estratégia de afirmação. A insurreição burocratizou-se.
É lamentável. "Senhor Cocteau, no caso do Museu do Louvre arder o que é que salvaria? O fogo, respondeu Jean Cocteau. Já sabia que o desaparecimento do Louvre não alteraria nada, mas assumiu a pose do surrealista blasé. A imagem é uma pintura de Pedro Amaral que se encontra numa exposição da Casa Bernardo, na Caldas da Rainha.  

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